Matias: muita história e o melhor cafezinho

matias_noticiasSócio do Caiçaras sabe bem: se estiver no clube e quiser um cafezinho, o melhor é o do  Matias, na Sede Social.

Com 50 anos de casa, a história de José Matias Alves, 68 de idade, se confunde com a do próprio clube – que este ano completou 86 anos. Quando chegou por aqui, aos 18, Matias veio para trabalhar na construção do que, hoje, é o Caiçaras. “Naquela época não tinha quase nada. Só uma casa e duas quadras de tênis”, lembra. “Eu vim da Paraíba para trabalhar em uma construção na Rua Carlos Góes, em frente à praia. Quando o serviço lá acabou, um amigo me indicou para o clube. E aqui fiquei”, conta.

Depois do período de obras, Matias passou cerca de nove meses trabalhando como encarregado da piscina. E foi de lá que nasceu a amizade com os sócios, que lhe rendeu o posto no café do Salão Social e nas Salas de Jogos. “Eu ficava na piscina e os sócios foram gostando do meu trabalho. Começaram a me chamar para ajudá-los nos jogos nos finais de semana. Deu tão certo que comecei a ficar direto. E aqui estou há 30 anos”, calcula.

Ele lembra com saudade daquele tempo: “Eu era um rapaz de cabelo preto, hoje sou um senhor de cabeça branca. Casei, tive três filhos, cinco netos. Fui criado aqui, né? Criei minha família graças a este emprego. A maioria dos sócios daquela época está no meu álbum de casamento!”, recorda-se, sorrindo.

Na Sede Social, comandando os serviços do café e das Salas de Jogos das 12h às 16h, Matias conta que o dia mais movimentado é, tradicionalmente, a quarta-feira, que os sócios estipularam como o dia da jogatina. Ali, o pedido que mais ouve, claro, é o “me vê um cafezinho?”. E a receita do seu “pretinho” vem atravessando gerações: “Foi o Vicente, antigo funcionário da casa, que me ensinou. Hoje tenho a missão de passar adiante. Quase todos que chegam para trabalhar no Caiçaras vêm aqui aprender a fazer café comigo”.

Até quando ele fica no comando do café? “Até quando Deus quiser”, diz Matias, que já é aposentado. “Gosto muito de tudo isso e não pretendo parar. Sinto saudades dos amigos que já morreram e trabalhavam aqui comigo, daquele tempo quase que só sobrei eu mesmo. Mas, se Deus permitir, continuo!”, enfatiza. Vida longa ao Matias!